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Escola
Austríaca Mercado e criatividade empresarial [Textos retirados do livro Escola Austríaca – Mercado e Criatividade Empresarial por Jesús Huerta de Soto (Lisboa: Espírito das Leis, 2005)] Nota do Presidente da Causa
Liberal Traduzir e publicar um livro sobre uma das
grandes “escolas” do pensamento económico é uma iniciativa que se enquadra
nos propósitos da Causa Liberal, uma associação de homens e mulheres
interessados no estudo, no debate e na divulgação do liberalismo clássico em
todas as suas vertentes. Embora algumas pessoas possam achar estranho,
há de facto um punhado de liberais no Portugal do princípio do século XXI que
conversa, se encontra e troca ideias e leituras. Só pelo prazer que isso dá,
só por concordar que nas suas vidas há espaço e apetência para isso. Ora, se
o estudo e o debate são, há três anos, a nossa principal actividade,
tornava-se agora necessário dar expressão à componente da divulgação. Daí o projecto de uma colecção, que
pretendemos fazer crescer, da qual este livro é o primeiro título. O tema da
Escola Austríaca impôs-se porque se deu a feliz coincidência de todos nós
(economistas e não economistas), conhecendo autores dessa corrente, estarmos
conscientes da sua importância. Por outro lado, sentíamos a necessidade de
preencher a enorme lacuna de não existir no mercado português, disponível
para o grande público, um bom livro de divulgação dessa Escola – um livro
acessível, mas rigoroso; não exaustivo, mas completo. Na obra do Prof. Huerta
de Soto encontrámos esse livro, escrito exactamente
com as mesmas preocupações. O seu autor, grande conhecedor do tema, teve
ainda a amabilidade de facilitar todas as questões relativas aos seus
direitos de autor, apoiando desde a primeira hora a iniciativa de levar a
cabo esta edição portuguesa. Os membros da Causa Liberal estão-lhe
imensamente gratos. Também ao Prof. José Manuel Moreira, o mais
competente conhecedor entre nós da Escola Austríaca, agradecemos o texto que
justamente dedica à pessoa e à obra do Prof. Huerta
de Soto, infelizmente pouco conhecidas em Portugal. Ao André Azevedo Alves que, num meritório
exemplo de iniciativa individual, levou a cabo a tradução do livro, cabe um
agradecimento especial. A sua formação em Economia, o já vasto conhecimento
que possui sobre a Escola Austríaca e a sua competência linguística
garantiram, não só uma tradução de qualidade, mas também um texto
tecnicamente impecável em língua portuguesa. Luís Aguiar Santos Nota do Editor É um privilégio e uma honra para O
Espírito das Leis editar uma obra do Prof. Jesús
Huerta de Soto. Trata-se
de uma personalidade com um prestígio pessoal, intelectual e académico que só
distingue esta Editora. Este é o primeiro livro seu editado no nosso país. “Escola Austríaca” marca ainda o início do que esperamos vir a
ser uma nova colecção de publicações em parceria com a Causa Liberal. Porque
o pensamento liberal também marca o espírito de certas leis e pretende
alterar com espírito outras leis. Porque o liberalismo está hoje no centro do
debate ideológico. E porque, como tudo aquilo que está no centro do debate, o
liberalismo também é hoje albergue de muito “descamisado” do poder, que nele
julga ter encontrado barco seguro para atravessar certas tormentas. Esperamos que a este se sigam outros livros e
que dessa forma, também nós, editorialmente falando, possamos contribuir para
o debate das ideias que a todos inquietam e que mais não é do que o produto
de tempos incertos como nunca. Jorge Ferreira Prefácio A publicação em língua portuguesa deste livro
resulta de uma feliz iniciativa, de destacados membros da nobre Causa
Liberal. O “liberalismo clássico” de que se sentem herdeiros em Portugal é,
na verdade, inseparável da Escola Austríaca de Economia. O cuidado “Estudo
Introdutório” de André Azevedo Alves ajuda a situar a obra e a perceber de
que maneira a “incorporação do ponto de vista austríaco de uma forma
generalizada acabará por dar lugar a uma ciência social ao serviço da
humanidade muito mais realista, ampla, rica e explicativa”. É também uma oportunidade para darmos melhor
conta das raízes ibéricas de uma Escola que, embora tenha nascido no seio de
um Império, cedo se espalhou por todo o mundo. Uma Escola tão conhecida entre
os novos países do alargamento (que, em vez de Marx e Lenine, traduziam e
liam os proibidos Mises e Hayek)
como desconhecida entre nós. Isto apesar de ter sido por Lisboa que, na sua
ida para o outro lado do Atlântico, passaram proeminentes judeus da Escola,
como é o caso de Mises. Mas os difíceis caminhos da “escola austríaca”
não passaram só pela diáspora, passam também por obstáculos teóricos e
epistemológicos que impedem de ver como, de facto, a escola abriu horizontes
para uma espécie de são caminho do “meio”. A tendência para arrumar os
austríacos em um dos lados da barricada, conservadores ou socialistas, monetaristas ou keynesianos,
foi mais um obstáculo na descoberta da suasingularidade.
Isso mesmo se constatou numa nota necrológica de três linhas publicada no
nosso mais conceituado semanário. Nela se considerava Hayek
como neoconservador, monetarista
e guru do neoliberalismo. Nenhum dos adjectivos era
verdadeiro mas manifesta bem a tendência de uma certa “inteligência” para
arrumar as pessoas chamando-lhes nomes. Hayek
deixou escrito “Porque não sou conservador”, mas pouco adiantou. Foi
conhecido crítico do keynesianismo – embora isso
não tivesse impedido Keynes de elogiar o seu
“Caminho para a Servidão” – e, por isso, obviamente tinha que ser monetarista. Em nome do liberalismo clássico sempre se
demarcou dos chamados “neoliberais” mas pelos
vistos pouco adiantou. O que grassa agora é o “politicamente correcto”. Uma
corrente tão crítica do “pensamento único” que fica impedida de perceber o
que o “único” tem de singular, de abertura à diversidade, de amor à novidade.
Como bem afirma Huerta de Soto,
a própria noção de descoberta ou criatividade [empresarial] encontra-se num
são ponto intermédio entre a busca deliberada de informação dos neoclássicos
e a noção anárquica e caleidoscópica do mercado que
têm autores como Shackle. É em parte esta natureza da surpresa e da
descoberta – inerente ao processo empresarial – que aproxima a dinâmica do
capitalismo mais da teologia católica do que doprotestantismo
de Weber (veja-se o nosso texto “Capitalismo,
Catolicismo e Protestantismo” em Público, de 7, II. 2001) e que está a
levar à redescoberta das relações entre Economia e Religião (veja-se a este
propósito o recente número de Journal des Economistes et des Etudes
Humaines, 2/3, 2003, inteiramente dedicado a
esta temática). O arguto Schumpeter,
que sempre considerou que um capitalismo não dinâmico era uma contradição de
termos, bem cedo deu conta – logo em 1954, na sua History
of Economic Analysis – das três razões que impediam a compreensão
do ponto de vista austríaco. Razões – que abrem a “Introdução” à nossa obra Hayek e a História da Escola Austríaca –
que, se atendidas, há muito teriam impedido a ignorância sobre uma das mais
ricas e promissoras tradições do pensamento económico actual. Uma falha que
esta obra ajudará por certo a colmatar. Está assim de parabéns a Editora e em
especial, o Autor, Jesús Huerta
de Soto, catedrático de Economia Política da Universidad Rey Juan Carlos, de Madrid. Acresce que esta mesma obra tem
já uma tradução italiana, com prefácio do nosso amigo Raimondo
Cubeddu. Doutor em Ciências Económicas e em Direito
pela Universidade Complutense de Madrid e MBA pela
Universidade de Stanford, são alguns dos títulos de
que o Prof. Huerta de Soto
se pode orgulhar. Conta-se também entre os membros da Royal
Economic Society de
Londres e da American Economic
Association. Mais importante ainda – e por aqui passa a
nossa ligação – é membro destacado e Vice-Presidente do Conselho Directivo da
Mont Pèlerin Society e considerado internacionalmente um dos
expoentes mais representativos da tradição austríaca da economia. Os seus
muitos trabalhos de investigação constam da sua página web
(www.jesushuertadesoto.com) mas provavelmente a melhor honraria que
poderá receber é a leitura atenta das páginas que se seguem. José Manuel Moreira Índice Nota do Presidente da Causa Liberal Nota do Editor Prefácio Estudo Introdutório Introdução 1. Princípios essenciais da Escola Austríaca 1.1. A teoria da acção dos austríacos frente à teoria da decisão dos
neoclássicos 1.2. O subjectivismo austríaco frente ao objectivismo neoclássico 1.3. O empresário austríaco frente ao homo oeconomicus
neoclássico 1.4. A possibilidade de erro empresarial puro (austríacos) frente à
racionalização a posteriori de todas as decisões (neoclássicos) 1.5. A informação subjectiva dos austríacos frente à informação objectiva
dos neoclássicos 1.6. O processo empresarial de coordenação dos austríacos frente aos
modelos de equilíbrio (geral e/ou parcial) dos neoclássicos 1.7. O carácter subjectivo que os custos têm para os austríacos frente ao
conceito de custo objectivo dos neoclássicos 1.8. O formalismo verbal dos austríacos frente à formalização matemática
dos neoclássicos 1.9. A conexão da teoria com o mundo empírico: os diferentes
entendimentos do conceito de “previsão” 1.10. Conclusão 2. Conhecimento e função empresarial 2.1. Definição de função empresarial 2.2. Informação, conhecimento e empresarialidade 2.3. Conhecimento subjectivo e prático, não científico 2.4. Conhecimento exclusivo e disperso 2.5. Conhecimento tácito não articulável 2.6. O carácter essencialmente criativo da função empresarial 2.7. Criação de informação 2.8. Transmissão de informação 2.9. Efeito aprendizagem: coordenação e ajustamento 2.10. O princípio essencial 2.11. Competição e função empresarial 2.12. Conclusão: o conceito de sociedade para a Escola Austríaca 3. Carl Menger e os precursores da Escola Austríaca 3.1. Introdução 3.2. Os escolásticos do Século de Ouro espanhol como precursores da
Escola Austríaca 3.3. A decadência da tradição escolástica e a influência negativa de Adam Smith 3.4. Menger e a perspectiva subjectivis
da Escola Austríaca: a concepção da acção como um conjunto de etapas subjectivas, a
teoria subjectiva do valor e a lei da utilidade marginal 3.5. Menger e a teoria económica das
instituições sociais 3.6. A Methodenstreit, ou a polémica sobre os
métodos 4. Böhm-Bawerk e a
teoria do capital 4.1. Introdução 4.2. A acção humana como conjunto de etapas subjectivas 4.3. Capital e bens de capital 4.4. A taxa de juro 4.5. Böhm-Bawerk contra Marshal
4.6. Böhm-Bawerk contra Marx 4.7. Böhm-Bawerk contra John
Bates Clark e o seu conceito mítico de capital 4.8. Wieser e o conceito subjectivo de custo de
oportunidade 4.9. O triunfo do modelo de equilíbrio e do formalismo positivista 5. Ludwig von Mises e a concepção
dinâmica do mercado 5.1. Introdução 5.2. Breve resenha biográfica 5.3. A teoria da moeda, do crédito e dos ciclos económicos 5.4. O teorema da impossibilidade do socialismo 5.5. A teoria da função empresarial 5.6. O método da economia política: teoria e história 5.7. Conclusão 6. F. A. Hayek e a
ordem espontânea do mercado 6.1. Introdução biográfica 6.2. Investigações sobre o ciclo económico: a descoordenação
inter-temporal 6.3. Polémicas com Keynes e a Escola de Chicago
6.4. O debate com os socialistas e a crítica à engenharia social 6.5. Direito, legislação e liberdade 7. O renascimento da Escola Austríaca 7.1. A crise da análise de equilíbrio e do formalismo matemático 7.2. Rothbard, Kirzner
e o ressurgimento da Escola Austríaca 7.3. O actual programa de investigação da Escola Austríaca 7.4. Resposta a alguns comentários críticos 7.5. Conclusão: uma avaliação comparativa do paradigma neoclássico Bibliografia |