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Hayek versus Keynes* Por João Miranda Os nossos
keynesianos têm passado os últimos meses a defender o estímulo da economia
através de um discurso da confiança. Friedrich
Hayek explica aqui
e aqui
porque é que esta medida tem efeitos contrários aos desejados. Um pequeno
resumo: - O problema
económico mais importante e ao mesmo tempo mais difícil de resolver é o
problema do conhecimento; - A informação
relevante para resolver problemas económicos está dispersa por toda a
sociedade; - As
estatísticas macroeconómicas censuram grande parte da informação relevante; - O governo
não tem capacidade para adquirir ou processar toda a informação relevante; - A economia
de mercado é um enorme processador de informação. Grande parte da actividade
económica consiste na manipulação de informação e produção de conhecimento; - Das duas
uma, ou existem razões para a confiança, ou não existem; - Quem está
em posição para avaliar as razões para a confiança são os agentes económicos,
cada um por si; - As razões
para a confiança dependem das condições locais de cada agente; - Um governo
não consegue avaliar as razões para a confiança de todos os agentes. Os
governos trabalham com médias; - O discurso
da confiança induz a maior parte dos agentes económicos a tomar decisões
erradas dado que as condições locais nunca coincidem com a visão que o
governo tem da realidade; - Se o
governo tem um discurso da confiança quando não existem razões para tal, os
agentes económicos são induzidos a tomar decisões erradas; - Se o
governo tem um discurso da confiança quando existem razões para tal, então
esse discurso é redundante porque os agentes económicos já sabem disso. - Os agentes
económicos estão mais motivados para avaliar correctamente a informação do
que o governo; - Os agentes
políticos sobrevalorizam o valor dos discursos e das ilusões; - Quando o
discurso da confiança é uma ilusão, o governo dificulta o processamento de
informação pelo mercado obrigando os agentes a um esforço redrobado para
analisar informação e produzir conhecimento de qualidade. Maio de 2003 João Miranda *originalmente publicado no blog Liberdade de Expressão |